quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

ENTENDENDO UM POUCO SOBRE O SISTEMA DA ESCRITA



O aprendizado da escrita alfabética tomada
como um sistema notacional: compreendendo
as propriedades do sistema e memorizando/
automatizando suas convenções

Apesar de muitas vezes serem levados apenas a copiar e a memorizar coisas, os alfabetizandos – crianças, jovens ou adultos –
pensam. Sim, enquanto, por exemplo, estão copiando e memorizando os traçados das palavras ou sílabas que lhes são apresentadas, vão realizando, solitariamente, todo um trabalho cognitivo, interno, de resolução de um enigma: desvendar como a escrita alfabética funciona. E finalmente, um dia, para surpresa de quem só lhe pedia para copiar e repetir coisas dadas prontas, acontece algo aparentemente misterioso: o aluno começa a entender como as letras se combinam e passa a escrever de um modo bem próximo do convencional. É preciso percebermos, contudo, que essa conquista não é obra de nenhuma entidade ou espírito especial que “baixasse”. Quando deixamos o aluno expressar espontaneamente suas ideias sobre como se escreve, verificamos que o “estalo” mencionado por muitos professores não se dá de uma hora para outra, mas é fruto de uma trajetória.

Para desvendar esse enigma, o aprendiz vai ter que compreender as propriedades do sistema notacional com o qual está se defrontando. Isso implica compreender (reconstruir mentalmente):

1) que se escreve com letras, que as letras não podem ser inventadas, que para notar as palavras de uma língua existe um repertório finito (26, no caso do português); que letras, números e outros símbolos são diferentes;

2) que as letras têm formatos fixos (isto é, embora p, q, b e d
tenham o mesmo formato, a posição não pode variar, senão a letra
muda); mas, também que uma mesma letra tem formatos variados (p é também P, P, p, P, p, etc.), sem que elas, as letras, se confundam;

3) quais combinações de letras estão permitidas na língua (quais
podem vir juntas) e que posição elas podem ocupar nas palavras (por exemplo, Q vem sempre junto de U e não existe palavra terminando com QU em português);

 4) que as letras têm valores sonoros fixos, convencionalizados, mas várias letras têm mais de um valor sonoro (a letra O vale por /ó/,
/õ/, /ô/ e /u/, por exemplo) e, por outro lado, alguns sons são notados por letras diferentes (o som /s/ em português se escreve com S, C, SS, Ç, X, Z, SC, SÇ, etc)

Como tem enfatizado Ferreiro (1985, 1989, 2003) compreender o
funcionamento das letras implica dominar uma série de propriedades “lógicas” da notação escrita.

Artur Gomes de Morais (professor do Centro de Educação da UFPE)



Vale a pena ver: Vídeo tutorial sobre APROPRIAÇÃO DO SISTEMA ALFABÉTICO






 FONTE:https: //www.youtube.com/watch?v=Ne0ImYjWuf8





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